4 de nov de 2011

Por: Walter Carrilho
04/11/2011

Pode reparar, Juquinha: estão “babaquizando” as manifestações por aqui. São os revoltados de ocasião, que parecem movidos por intenções profundas, mas que são apenas “revolucionários do próprio umbigo”. Três ótimos exemplos ocorridos em uma só semana:

-Mona Lisa Perrone: o ataque à jornalista global virou hit na Internet. Melhor que o vídeo é a entrevista do autor do ataque. Ele queria mesmo era divulgar um curta metragem que fez, parece. Na verdade, não dá para entender o discurso do cara. Ele repete a ladainha óbvia da Globo como “império do mal” e se diz um sujeito politizado sustentado pela mãe. Em resumo: o cara quer “incomodar a Globo”, mas sequer consegue descolar da barra da genitora. Tem futuro, certo?

-Câncer do Lula: as notícias sobre o câncer do Lula geraram uma grotesca onda de comentários maldosos na Internet. A reação
de quem não gostou das brincadeiras foi intensa. Governistas e oposicionistas se confrontaram verbalmente em clima de Fla-flu. Um debate que, no frigir dos ovos, é oco e não muda uma vírgula a situação de ninguém. Serve apenas para todos exibirem engajamento. Deixem o homem se tratar. Se houvesse tanta paixão para se manifestar a favor de objetivos concretos, o país seria outro, confere? Pois é, mas ficamos no Fla-flu.

-Quebra-quebra na USP: PMS tentam enquadrar três alunos que fumam maconha. Outros alunos não gostam da ideia. A coisa descamba para uma batalha campal. PMS falam grosso. Alunos jogam um cavalete. Depois, bidu, tomam pau (ah, vá!). Uns querem a PM fora da USP, como se a universidade fosse uma espécie de zona desmilitarizada igual à que existe entre as duas Coréias. Outros querem que ela continue o policiamento. Falta explicar: a polícia não pode fazer “meio policiamento”. Se ficar por lá, vai ter que cumprir a lei que envolve, gostem ou não, enquadramento de quem fuma “unzinho”. A legislação sobre maconha é anacrônica - fato. Mas se é para mudá-la, então enfrentem políticos e juristas, que vivem cercados de segurança. Ok, xingar PM é mais fácil, não é?

E vale um adendo para esse caso: tem gente que acha que ”maconheiro tem mais é que apanhar” (mas advogado que cheira uma carreirinha, não, certo?). Por outro lado, alunos penduraram um cartaz dizendo “Os policiais não são trabaliadores (SIC). São o braço armados (SIC) dos exploradores”. Crianças, me desculpem, mas tomando pipoco de traficante e ganhando mal, PMS são muito mais trabalhadores do que certos playboys que estudam de graça (sem realmente precisar) e usam sandália de couro para dar um ar “engajado”, mas adoram a vaga garantida na casa de campo do papai executivo de finanças. Como? A FFLCH forneceu grandes pensadores? Ótimo. E a Alemanha nazista forneceu grandes cientistas, também. Olha só que coisa: pode ter gente babaca e legal num mesmo lugar.

Sabe o que eu acho? Que está sobrando garganta e faltando razão nesse nosso quintal. Muito rebelde sem causa, que se revolta contra moinhos de vento, como Dom Quixotes tapuias. Preferem se rebelar contra alvos óbvios (Globo, ex-presidente, PMS, McDonald´s, etc.), porque dá ibope, rende fotinho. Sério, quem os alunos da USP pensam que são com as camisas enroladas em torno da cabeça? Guerrilheiros zapatistas? Qual é a função de torcer pela morte de Lula? E empurrar jornalista vai valer para quê? Alguém me explica?

Simples assim: é mais fácil aplacar a nostalgia de uma rebeldia que nunca tiveram com manifestações inócuas e sem foco como essas. Porque se rebelar com o papai que paga as contas não rola: papai corta a mesada, né?

PS 1: se é para partir pra violência, que seja por algo que valha a pena. Ouvi falar que o Restart esta com disco novo. E aí? Como é que fica?

PS 2: eu jurei que não ia fazer muito post sério sobre assuntos de tons políticos. Mas, tasquipariu, esse país tá ficando tão boçal que eu “num guento”

Um comentário:

  1. Eu coloquei uma postagem igualzinha essa no meu RostoLivro. Realmente um tapa na face facial de muitos humanos.

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