15 de jun de 2011

IRA

      Sentir raiva. Muita raiva. 
     Muitas vezes eu, leonina típica, me deparei com esta situação. Eu tinha vontade de bater nas pessoas, de machucá-las - especialmente quando eu não conseguia convencê-las sobre algo. Acho até que quando era criança, com uns quatro anos, eu coloquei em prática esse desejo. 
     Outro dia, na novela Insensato Coração, uma cena ilustrou bem como as pessoas ficam cegas na hora da raiva. Nesse caso, a personagem da Glória Pires, a Norma, ficava com tanto ódio que tentava matar o marido. O que eu mais gostei na cena foi o efeito criado pela câmera, que filmava tudo meio torto e só voltava ao normal quando a personagem voltava a si, se arrependendo do que havia feito.
     A diferença que existe entre o ser humano e os outros animais é que nós temos a capacidade de controlar nossos instintos. Mas, para que se chegue a esse controle, temos que passar por um caminho tortuoso.  É muito difícil constatar que temos vontade de machucar as pessoas que deveríamos amar, mas este é o primeiro passo. Temos responsabilidade sobre tudo aquilo de que temos consciência. Uma vez que admitimos para nós mesmos que temos um problema, começa, então, o trabalho para acabar com ele. 
    Eu achava que fazer alguma coisa na qual não se acredita era errado. Ledo engano: é através do exercício que acabamos tornando certas ações um hábito, algo mecanizado e até natural.
     Outro ponto a ser colocado e no qual eu não havia pensado em todos esses anos de combate à raiva me foi mostrado por um adolescente. Como as outras pessoas veem esses acessos de ódio extremo? Na ocasião, ele me relatava que tinha receio da imagem que estava sendo passada para pessoas que não o conhecem muito bem; que não queria alimentar uma ideia de era difícil de conviver com ele; ou de que era chato, ranzinza. 
    A raiva é uma energia poderosa que precisa ser dissolvida para que possamos ser mais livres e saudáveis. E esta raiva assume muitas formas, muitas facetas como: aflição, ressentimento, contrariedade, mau humor, aspereza, animosidade, explosões, ira, rancor, crises de choro e soluço. Muitas vezes, as lágrimas não são sinais de fraqueza, mas a força da raiva. Nossa... como eu já chorei de raiva... O coração fica apertado, dá vontade de fumar, de sair correndo pela rua...
   Na Bhagavad Gita, o Senhor Krishna diz: "Ó Arjuna, deixe de pensar em seus inimigos externos. Em vez disto, conquiste seus inimigos internos". O Yoga diz que precisamos observar a raiva, analisá-la; aprender a lidar com ela e a dissolvê-la através da contemplação e da meditação. 
      Uma das maneiras mais eficazes de combater a ira é através da humildade, que é a virtude das pessoas fortes e corajosas. Compreender que ninguém é perfeito. Cada um de nós fez algo de errado: é da condição humana. O importante é aprender com nossos erros sem a atitude de censura ou crítica excessiva por nós mesmos, porque esta autopunição é fonte de sofrimento. Quando entendemos isto, nos tornamos mais tolerantes com as falhas das outras pessoas e sentimos menos raiva. 
     Nós, que sentimos raiva, temos muito o que trabalhar!
     




     
     

8 comentários:

  1. Eu vivo lutando para não ser dominado pela ira. Guardo muita mágoa, muito rancor das pessoas e acima de tudo um desejo insano de vingança, contudo jamais botei em prática tais ações. Muitas vezes me imagino cometendo atos terríveis de violência com determinadas pessoas, até mesmo assassinatos movidos por puro ódio. Mas vejo que isso me faz mais mal do que bem.

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  2. É isso aí Edu...
    e ainda fode o fígado...

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  3. Oi Cata! COm certeza, raiva é uma energina poderosíssima...O equilíbrio é o santo remédio. Encontrar o caminho do meio é um antídoto contra esse sentimento. Bjos

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  4. Oi Marcela,
    pois é, estou tentando encontrar esse equilíbrio há anos... difícil, né? Mas eu sigo tentando.
    BJOS!

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  5. Olá queridíssima !

    Adorei a reflexão que nos trouxe !!
    Sempre tive muita raiva guardada e passei muitos anos agindo de forma insana ! arrumava brigas físicas, discussões, era mau humorada, etc... Até que comecei a fazer artes marciais. Isso me trouxe um equilíbrio imenso, pois quando se sabe que pode matar alguém, você simplesmente não quer mais rsrs fora a descarga física dos treinos que ajuda muito ! mas mesmo assim, precisei fazer terapia para me sentir melhor e em paz com meus sentimentos. Foi bom também para aprender a analisar de onde vem esta Ira, e só este passo já contribui bastante para uma sensação de serenidade.
    Ainda sou encrenqueira, mas bem mais equilibrada, controlada e mais feliz :)

    Um beijãooooo

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  6. Oi Sam,
    adoro quando você aparece por aqui!!
    Eu já tinha ouvido falar que nas artes marciais as pessoas perdem um pouco a vontade de sair por aí brigando. É uma alternativa, mas acho que existe um outro lado do ódio. É aquele que, mesmo não sendo posto em prática, fica martelando nas nossas mentes doentes. Acho que é esse sentimento que se materializa em doenças, principalmente do fígado.
    Fato: quem sente menos raiva é mais feliz. Indiscutível.
    BJO!

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  7. Obrigado amiga Cata pela visita ao meu blog e as pinturas em 3D são pintadas em um plano só sim, mas eles pintam de um modo que dá impressão de profundidade.
    Este post caiu como uma luva, pois estou passando por uns momentos difíceis, e não sabendo como resolver ou lidar c/eles, sinto raiva e muitas vezes elas são descarregadas em pessoas erradas, mas, enfim é o aprendizado do sêr humano, errar e consertar esse erro. bjnhos.

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  8. Oi Suely!!!!
    eu estou lá no seu espaço quase todos os dias!! ADORO!
    Pois é, nós temos que continuar tentando ser perfeitos. Foi Deus que mandou. Ele pode e a gente tem juízo.

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