22 de jun de 2011

Consultoria grátis? Qual é?!

     

 Em um dos melhores cafés de BH (Café Kahlúa, um dos lugares onde o café é bem tratado na cidade: são vários grãos, vários moinhos, máquina La Marzocco... um oásis...) alguns amigos de faculdade estavam, como era de costume, jogando conversa fora.Enquanto saboreavam capuccinos, cafés e cigarros, divagavam sobre o cotidiano. Em roda de professores, só acontece conversa de doido! 
     Então, eis que surgiu um comentário que me chamou atenção: porque será que, uma vez que se sabe que o sujeito da aulas de português, se começa a questioná-lo sobre o uso correto da língua? As pessoas acham que somos gramáticas ambulantes. Daqueles que dão aulas de outras línguas, sinto mais pena: acham que são dicionários! Ao longo da conversa, pudemos perceber que o fenômeno não premiava apenas nós, pobres estudantes: é um problema dos brasileiros. O povo faz qualquer coisa para ter uma "consulta" grátis, mesmo que não precise.
     Ninguém tem vergonha. Uma vez que o profissional se identifica, pronto: será crivado de perguntas. E os médicos, coitados... todos querem descrever uma dorzinha aqui ou ali. 
     Conheço um empresário, dono de alguns bares badalados da cidade que realmente esconde o que faz. Segundo ele, quando quiser muitos "melhores amigos", dirá qual é sua ocupação. E não para por aí: no seu escritório, ele quase nunca atende o telefone, porque se for identificado, o interlocutor certamente irá lhe pedir uma cortesia o qualquer coisa do gênero. Um horror!
     Odeio gente que não sabe seus limites. São os sem noção. Pior que estes, só aqueles que fazem perguntas para confirmar que você realmente domina determinado assunto. Se você diz que fala alemão, o chato logo solta: Deutschland über alles! - e ainda fica esperando uma resposta.... patético. Ou ainda: como se diz *!@#$%¨ em grego? 
      Esse comportamento me irrita profundamente. Sobretudo, quando é feita uma crítica sem embasamento teórico nenhum. Na língua portuguesa, por exemplo, temos matérias de estudo que são primárias, como preconceito linguístico, adequação de linguagem e regionalismo. As pessoas que não passaram pelo banco da universidade têm o hábito de criticar o uso "incorreto" da língua e ainda saem por aí proferindo suas ideias errôneas, como se fossem profundos conhecedores da matéria. Gente, cadê a humildade? Ninguém sabe tudo, e ninguém tem que ensinar tudo ao mundo!
     Depois de muita discussão e vários exemplos, cafés tomados e cigarros fumados, fui embora com uma certeza: temos que ter paciência, para não perder a cabeça!




Sim, esta imagem tem duplo sentido.


     

3 comentários:

  1. Olá queridíssima !!!

    Consulta grátis é uma realidade , infelizmente kkkkkkkk
    Pior sou eu que nem profissão tenho, pois não fiz facul, mas depois que criei o blog, por falar bastante de comportamento, recebo dezenas de e-mails, recados, scraps de pessoas querendo opiniões ou um ombro amigo pra chorar. Eu adoro ajudar, mas acho cara de pau só me procurar nestas horas... e quando eu começo a falar de mim... somem !! Desde que criei o blog, não posso mais ficar on line no msn kkkkkkk só mesmo quando estou disposta a ser psicóloga hehehe
    O que é ainda pior, é que mesmo depois da minha ajuda, além de sumir até o próximo problema, as pessoas nem agradecem !!! puxa vida, um obrigado é sempre bom né ?
    E tenho amigos com profissões, que é exatamente assim, falou o que faz, pronto, lá vem um sem noção querendo se consultar...
    Ajudar é uma coisa, aceitar abuso de interesseiros ou desocupados que como citado no texto, ainda criticam... é dose viu rsrs

    Um beijãoooo

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  2. Oi SAM,
    a resposta tarda mas não falha.....
    Com certeza, aqueles que sabem agradecer são poucos.
    Para combater os folgados, a gente tem que aprender a dizer não - o que é SUPER difícil!
    Temos que ter paciência.....

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  3. Cata, bem colocado o assunto. é pura verdade. Fui locutor muito tempo. E quando encontrava alguém na rua, aqueles que nem fãs do programa eram - e começava a cena: Alguns começavam a falar em tom mais alto como se diante de um microfone. E as perguntas sobre os cantores desta ou daquela música... e por aí vai.
    Abraços!

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